O cristão, a fé e as urnas
A poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, a Igreja Presbiteriana de Santa Maria (IPSM) dedicou o espaço da tradicional Escola Bíblica Dominical a uma reflexão sobre um tema que desafia o cristão a olhar para além dos muros da igreja: a relação entre fé, política e cidadania.
Com o tema “O Cristão e a Política”, o reverendo Paulo Romão Pereira, pastor da IPSM, conduziu os presentes por uma reflexão sobre a responsabilidade do cristão diante das escolhas que interferem diretamente na vida da sociedade. A proposta foi mostrar que a fé cristã não se limita à esfera particular, mas também alcança a maneira como o crente participa da vida pública.
Para o cristão, existe uma importante distinção entre a eleição divina e a escolha eleitoral. Ser eleito por Deus é uma realidade relacionada à graça e à salvação; ser eleitor, por outro lado, envolve uma responsabilidade cidadã diante da sociedade.
É justamente nessa relação que surge um desafio: como um cristão, consciente de sua fé e de seus princípios, deve exercer seu direito de voto? A resposta não está em transformar a igreja em espaço de disputa partidária, mas em reconhecer que o cristão continua sendo cidadão e, como tal, participa das decisões que afetam sua comunidade, seu município, seu Estado e seu país.
Durante a exposição, foram abordados diferentes aspectos dessa responsabilidade, entre eles o papel do cristão na política, a consciência no momento de votar, o posicionamento diante de temas contemporâneos e os cuidados necessários no envolvimento com a política.
A participação eleitoral foi apresentada como uma oportunidade para que o cristão exerça sua cidadania de maneira consciente, responsável e ética. Nesse processo, o voto não deve ser resultado simplesmente de interesses pessoais, pressões sociais ou paixões partidárias, mas de uma decisão refletida.
O cristão é chamado a buscar sabedoria e discernimento, avaliando candidatos, propostas, valores e ações com responsabilidade. Ao mesmo tempo, deve reconhecer que vive em uma sociedade plural, na qual existem diferentes posições políticas e visões de mundo.
Por isso, respeitar quem pensa diferente também faz parte do exercício responsável da cidadania.
A reflexão também destacou a necessidade de o cristão rejeitar práticas incompatíveis com uma vida pautada pela ética, como o oportunismo, a corrupção e a indiferença diante dos problemas da sociedade.
A mensagem apresentada na EBD reforçou que o cristão não deixa de ser cidadão ao entrar na igreja. Pelo contrário: sua fé deve orientar também sua maneira de viver e de participar da sociedade.
Assim, a participação política pode ser compreendida como uma das dimensões da responsabilidade cristã no mundo. Isso não significa que todos os cristãos devam adotar a mesma posição política, votar nos mesmos candidatos ou pertencer ao mesmo partido. Significa reconhecer que cada eleitor possui responsabilidade pessoal diante de sua consciência, de sua cidadania e de seus princípios.
Ao tratar do tema “O Cristão e a Política”, a IPSM buscou oferecer aos seus membros elementos para que enfrentem o período eleitoral com maior maturidade, discernimento e responsabilidade.
A grande questão, portanto, permanece atual: se somos eleitos por Deus, como exercemos, com responsabilidade, a condição de eleitores na sociedade?
Mais do que escolher nomes nas urnas, o desafio apresentado aos cristãos é participar da vida pública sem abandonar os princípios que professam, mantendo a fé, a ética, o respeito ao próximo e a responsabilidade diante das escolhas que podem influenciar o futuro da sociedade.