Secretário de Comunicação e Marketing

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12/05/2026 00:00:00 00:00:00

Pescadores de Gente em Rio Brilhante



Rio Brilhante, com seus 40 mil habitantes, faz jus ao nome. Na manhã de 11 de abril, o sol parecia ter acordado mais cedo, como quem também tinha compromisso com a 2ª Pescaria da UPH. O calendário da Federação de Dourados marcava apenas “visita oficial à Igreja local”, mas quem esteve lá sabe que foi bem mais que isso: foi dia de comunhão, reflexão, risadas e, claro, de tentar convencer alguns peixes a colaborarem com o evento.


Desde cedo, o movimento denunciava que aquele sábado não seria comum. Às 8h30, Rudi Ferreira, presidente da UPH local e vice-presidente da Federação, abriu a programação. Ao redor, 35 homens e cinco crianças davam um ar de “culto em família à beira do rio”. Não era apenas uma atividade de agenda; parecia mais um reencontro de irmãos, alguns trazendo a Bíblia debaixo do braço, outros, a vara de pescar na outra mão – e todos, com histórias muitas para contar.



A UPH de Rio Brilhante, mesmo jovem – organizada em 2019 e hoje com 22 participantes – já tem seu jeito próprio de existir: simples, firme e fraterna. A diretoria já está alinhada: Rudi à frente da presidência, Lucino na vice, André Barbosa e Aguinaldo de Oliveira na secretaria, Gimerson Silva na tesouraria. Nomes que, para quem vê de fora, são apenas cargos; para quem convive, são rostos, vozes e mãos que servem.



A Igreja, fundada em 1995 e hoje com 207 membros sob o pastoreio do reverendo Clovis Ortlieb, não vive apenas de estatísticas. Vive de encontros como esse: um misto de reunião oficial, café servido com carinho e pescaria com cheiro de mato e conversa boa. Ali, Federação, Presbitério, Sínodo e igreja local se cruzavam de forma natural, quase como quem se reúne em volta da mesma mesa da cozinha.





Representando a diretoria da Federação, estavam presentes Alisson Abedala, secretário executivo; Eduardo Gomes Alves, 2º secretário; e Eliberto Liebich, tesoureiro. Somavam-se a eles os pastores Melquisedeque Nascimento, secretário presbiterial do trabalho masculino, e Edézio Araújo, secretário sinodal. Em outras palavras: muitas siglas, muitos títulos – mas, naquele cenário, eram simplesmente “os irmãos que vieram somar”.



Depois da abertura, vieram os cânticos. Três hinos conhecidos, entoados com aquelas vozes de quem ainda está aquecendo o dia, mas já aqueceu o coração. Não era um coral profissional, era algo melhor: homens comuns cantando verdades eternas à beira de um rio.

Em seguida, o pastor Melquisedeque abriu a Bíblia em 1 Reis 2. Ali vemos a narrativa de Davi, já no fim da vida, aconselhando Salomão. A velha cena bíblica ganhou vida no meio daquela manhã de pescaria. Ele falou de liderança, responsabilidade, fidelidade – temas que pesam tanto no trono de um rei quanto na cabeceira de uma mesa de jantar, na educação de um filho, na forma como se usa o celular.


De algum jeito, o texto antigo encontrou espaço no cotidiano moderno: notificações que não param, redes sociais cheias de vozes, opiniões e, muitas vezes, desinformação. Foi aí que o espaço foi aberto para os presentes. O irmão Elcio chamou atenção para as notícias distorcidas que correm como enxurrada nas redes, moldando pensamentos e confundindo corações. O irmão Eduardo, por sua vez, falou de mudanças culturais e sociais que têm mexido com valores antes tidos como certos no meio cristão. Outros irmãos entraram na conversa, trazendo preocupações sobre leis, família, educação dos filhos. O clima não era de reclamação, mas de alerta: como seguir firme, com fé, num tempo em que tudo parece escorregadio?


Entre uma reflexão e outra, veio o café da manhã. Pão, bolo, café quente e, claro, aquela conversa que só acontece quando ninguém está com pressa. Se alguém fosse medir a comunhão, teria de olhar as mesas: gente misturada, histórias cruzadas, risos que iam de um canto ao outro do salão.


Depois, chegou a hora da pescaria no Rio Brilhante. Alguns foram com coragem de veterano, outros com a humildade de quem sabe que peixe não respeita currículo. Entre iscas, linhas e tentativas, o que mais se pescou foram conversas. No balanço final, talvez nem todos tenham voltado com o balde cheio, mas ninguém saiu com o coração vazio.



Às 11h30, a Palavra foi retomada com o pastor Melquisedeque, novamente em 1 Reis 2. Ali, vemos a figura de Adonias, tentando tomar o trono, e a de Salomão, o herdeiro legítimo. Isso serviu de cenário para um alerta sobre liderança e usurpação, sobre autoridade legítima e caminhos tortos. O texto antigo insistia em dialogar com o presente: quem guia? Quem segue? Quem obedece? Em casa, na igreja, na sociedade, a questão era a mesma.



Na etapa final, a conversa foi afunilando para o centro da vida: o lar. O pastor destacou a necessidade de uma postura firme na condução da família, a importância da presença – não só física, mas afetiva – entre cônjuges e filhos, a prática do culto doméstico, o cuidado com as telas e o uso acrítico da tecnologia. Ele falava de casas reais, com rotinas apertadas, cansaço acumulado e, ainda assim, o chamado à oração, à centralidade da Palavra, à decisão de organizar a vida sob princípios bíblicos.


A certa altura, a exortação veio direta, sem rodeios: coragem, firmeza, responsabilidade. Não como um peso desumano, mas como um chamado a crescer. A ideia de “inculcar os valores cristãos na mente da família” soou menos como um slogan e mais como um compromisso silencioso, daquele tipo que se renova na segunda-feira, quando a rotina volta a apertar.

O lema da UPH – “Confiança em Jesus, entusiasmo na ação, união fraternal” – deixou de ser apenas frase impressa em papel e virou resumo de tudo o que se viveu ali: confiar, agir, caminhar junto.



No encerramento, coube ao irmão Eliberto traçar uma imagem que ficou gravada: o pescador que tira o peixe da água para a morte, e Cristo que resgata o pecador para a vida. Simples, direto, forte. Ele concluiu com um conselho que caberia em um quadro na parede: perseverança, persistência, bom exemplo dentro de casa.

Por fim, Rudi, como bom anfitrião, tomou a palavra para agradecer. Lembrou da presença dos representantes do Sínodo, do Presbitério, da Federação, das outras UPHs. Agradeceu a cada um, como quem sabe que nenhum evento assim se sustenta só na força de uma pessoa, mas na soma discreta de muitos.


Quando tudo terminou, o rio continuava correndo, como sempre fez. O sol já não era o mesmo do começo da manhã, mas o brilho permanecia – agora, também nos rostos de quem voltava para casa com algo a mais na bagagem: uma palavra, um desafio, um novo amigo, um convite silencioso a reorganizar a vida com Deus.

A 2ª Pescaria da UPH terminou oficialmente naquele dia. Mas, para quem esteve em Rio Brilhante, a impressão é de que o verdadeiro trabalho começa depois: pescar vidas, cuidar de famílias, servir com entusiasmo e viver, na prática, aquela velha e sempre nova combinação: confiança em Jesus, ação comprometida e união fraterna.





































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Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará.
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