Entre flores e recomeços: Um amor que Deus escreveu no Nordeste
Quando o amor volta a florir no sertão do coração
Por:
Marcelo Luciano da Costa Santos
Jornalista, editor da Revista e do Blog da UPH e secretário da CNHP
No Nordeste, onde o vento conta causos e o sino da igreja responde amém, houve um casamento que parecia escrito em cordel.
O presbítero Wellington Luiz Alves, lá de Areias, Recife (PE), chegou com passo manso de quem já sofreu e ainda assim acredita.
Viúvo, aposentado, corretor de seguros por teimosia de viver, trazia no peito a coragem dos recomeços.
Maria José Cunha, empresária de fibra da Primeira Igreja de Paulo Afonso (BA), vinha com riso de menina e firmeza de mulher decidida.
E naquela sexta-feira, 20 de fevereiro o céu abriu claridade como se Deus assinasse o convite.
Eles se conheceram num encontro de homens presbiterianos em Gravatá, agosto de 2024, quando o agreste ainda guardava cheiro de chuva.
Entre palestras e apertos de mão, foi o olhar que fez a teologia virar poesia.
Nelson Rodrigues diria que toda paixão tem um susto, e ali houve um susto santo.
O viúvo descobriu que o coração não se aposenta, apenas espera nova estação.
A solteira percebeu que certos amores chegam maduros como fruta doce no quintal da vida.
O casamento foi na igreja da noiva, em Paulo Afonso, com flores sorrindo no altar e cantigas que subiam feito asa-branca.
O pastor Juan Carlos Pantaleão celebrou a união com palavra firme e ternura nordestina.
Havia paz no templo, dessas que não fazem barulho, mas sustentam o mundo.
O rapaz, de terno alinhado, parecia agradecer a Deus cada passo até ali.
A menina, de véu leve e levada ao altar pelos pais, carregava nos olhos todos os sonhos que bordou em silêncio.
Entre os padrinhos estavam o diácono Magno Fonseca e sua esposa Maria Luciene, testemunhas de fé e amizade.
Também padrinhos, o casal Leonardo Santos e Cláudia Vilela, sorrindo como quem sabe que o amor merece plateia.
Não era festa de luxo, era festa de verdade, com abraço demorado e lágrima sem vergonha.
No Nordeste, quando dois se unem, a família cresce como o rio São Francisco em tempo de inverno.
E cada aperto de mão dizia que a solidão perdeu mais uma batalha.
Wellington segurou a mão de Maria José como quem segura promessa feita diante do altar.
Ela respondeu com doçura firme, dessas que não se quebram ao primeiro vento.
Ali não havia apenas um casamento, havia a vitória da esperança sobre o passado.
Patativa cantaria que o amor é roça que se planta mesmo depois da seca.
E assim, entre flores, cantigas e paz, o rapaz e a menina começaram de novo, como quem descobre que Deus ainda escreve bonito no Nordeste, cumprindo suas promessas por sua graça preciosa.