Alguns homens não partem, apenas descansam
Há domingos que chegam mais silenciosos do que deveriam. Ele amanheceu comum, com a vida para alguns seguindo seu curso, e, de repente, uma notícia chega como um sopro que falta:
o presbítero Jonas Mamedes de Azevedo partiu. Foi assim, simples e abrupto, como tantas despedidas que não pedem licença.Um mal súbito, o socorro que veio, a esperança que insistiu por alguns minutos, e o coração que descansou na tarde da sexta-feira, dia 2. No início da tarde deste domingo, 4 de janeiro, o corpo foi sepultado, mas sua história permanecerá de pé.
Jonas nasceu em 22 de dezembro de 1951 e havia acabado de completar 74 anos. Era membro da Igreja Presbiteriana Novo Eldorado, em Contagem, cidade vizinha a Belo Horizonte, e tornou-se, ao longo dos anos, um dos nomes mais respeitados do trabalho masculino na Região Metropolitana da capital mineira. Não pela busca de holofotes, mas pela constância. Pela presença que não faltava. Pela voz firme e pelo riso fácil.
"Dou graças ao Senhor por permitir conviver com homens assim, valorosos, dedicados, entusiasmados, que hoje já estão na glória. Poderia citar muitos que moldaram minha caminhada cristã, mas neste dia de sepultamento a memória se detém em Jonas. Servo do Senhor, sempre atuante na UPH, ele ocupou cargos, mas, sobretudo, exerceu ministério. Foi por muitas representante de sua igreja no Presbitério e o seu Presbitério no Sínodo e no Supremo Concílio, como quem entende que servir também é ir.
Nas duas últimas igrejas por onde passou — Canaã, Nova Jerusalém, antes de voltar para o Novo Eldorado — deixou a mesma marca: a do personagem descontraído, do irmão acessível, daquele que sabia tratar assuntos sérios sem perder a humanidade. Durante meus doze anos à frente da Sinodal Oeste de Belo Horizonte, Jonas esteve ali, participativo, presente nas programações, colaborador nas diretorias, alguém em quem se podia confiar sem necessidade de explicações longas.
Os registros são muitos: presidente de UPH, da Federação de Contagem, vice da Confederação Sinodal Oeste de Belo Horizonte, delegado no Congresso Nacional de 2014, em Aracruz (E) e na reunião da Comissão Executiva de 2015, em Marabá (PA). Mas os registros mais duradouros não cabem em atas. Estão na memória dos irmãos, nos abraços distribuídos, na alegria de servir. Seu prazer e disposição em servir era tamanho que em novembro, foi eleito secretário da Federação de Contagem.
À sua amada esposa, irmã Aracy Antônia, ficam meus sinceros sentimentos, com a oração de que o Senhor a conforte. E, enquanto o luto se impõe, ecoa a promessa que sustenta a fé: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” A vida de Jonas segue escrita onde o tempo não apaga."
Narrativa escrita pelo presbítero Orestes Flores Júnior, ex-presidente da Sinodal Oeste e hoje secretário do Trabalho Masculino do Sínodo Belo Horizonte.