Entre o mar e a mesa: a Federação do Rio escolhe continuar
Naquela manhã de sábado, 1º de novembro, dia de todos os santos, Copacabana não vivia apenas mais um dia como um dos bairros mais icônicos do Brasil - era cenário. O mar, com suas águas frígidas, propensa a fortes ondas e ressacas, seguia seu ritmo indiferente, os prédios guardavam suas antigas histórias, e dentro da Igreja Presbiteriana local, uma das mais antigas das plagas cariocas, acontecia algo que não sai nos jornais, mas muda destinos: homens cristãos decidiam servir.
Congressos têm esse ar solene, quase discreto. Não há aplausos fáceis nem discursos inflamados. Há olhares atentos, mãos levantadas com cautela, e uma consciência silenciosa de que liderar, ali, não é mandar — é carregar. Foi assim que a Federação de Homens do Rio de Janeiro escolheu quem conduzirá seus passos em 2026.
Eleito presidente, Luiz Felipe Moreira Teles, da IP Botafogo, assumiu não um cargo, mas uma comissão divina — dessas que exigem mais joelhos dobrados do que voz erguida. Ao seu lado, Daniel Schmidt de Carvalho, da IP Copacabana, como vice, alguém que sabe que o segundo lugar, na verdade, é o primeiro a sustentar. William Pinheiro Guimarães, secretário executivo, cuidará do que quase ninguém vê, mas sem o qual nada acontece. Celso Ivanor Olenhiscki, Thiago Louro Leite (secretários) e Ricardo Plata Portugal (tesoureiro) completam a mesa — cada qual com sua função, todos com o mesmo chamado.
E enquanto os nomes eram lidos, não se ouvia entusiasmo barulhento. O que havia era algo mais profundo: respeito. Porque todos sabiam que aquela diretoria não começava do zero. Havia um caminho já aberto, um trabalho bem feito, marcas deixadas por irmãos que passaram antes — e é mais difícil continuar bem do que começar do nada.
Talvez Drummond, sentado (simbolicamente em uma estátua) há pouco mais de 2 km dali, diria que “no meio do caminho há uma missão”. E Nelson Rodrigues lembraria que a verdadeira grandeza mora nos gestos pequenos e persistentes. A Federação que leva o nome da Cidade Maravilhosa entra em 2026 assim: sem fogos, sem holofotes, sem espetáculo, mas com propósito, unidade, compromisso, dedicação e serviço, sem promessas grandiosas; mas com a firme decisão de seguir em frente, sobre a proteção do Deus altíssimo. E isso, convenhamos, é coisa preciosa.