Um sábado de fé, café e destinos cruzados em Duque de Caxias
Era sábado, 22 de novembro em terras fluminenses — uma dessas manhãs que acordam com cheiro de café coado e promessa de confusão santa. A Igreja Presbiteriana de Mantiquira, em Duque de Caxias, parecia respirar um ar mais cheio, mais vivo, como quem antecipa um acontecimento importante.
E aconteceu mesmo: o Congresso Unificado das Federações do Presbitério Norte Caxiense. Cada federação chegou como família grande em dia de batizado e profissão de fé — SAF, UPH, UMP, UPA — todas ocupando seus lugares como se o templo fosse um palco antigo, pronto para mais um capítulo de sua peça infinita.
As lideranças foram surgindo como personagens cuidadosamente escritos por um dramaturgo meticuloso: o vice-presidente do Sínodo, presbítero Jorge Amorim, caminhando como quem sabe que carrega uma responsabilidade que pesa e honra; o presbítero Paulo Roberto Pereira, representando excepcionalmente a CNHP, com aquele ar de quem já viu de tudo e ainda se surpreende; o presbítero Eli Araújo, do vizinho Presbitério Duque de Caxias, sempre atento; a irmã Ednéia Pimentel, presidente da Federação de SAFs, trazendo no olhar o zelo das irmãs que sustentam a casa. E havia ainda o vice-presidente Sudeste 2 (RJ-ES) da CNHP, presbítero Samuel Ribeiro (que nesse dia encarnava o papel de presidente da Federação— e que ainda voltaria à cena, como todo bom personagem de reviravolta.
Após um café da manhã daqueles que fazem o coração crer novamente na humanidade, o culto de abertura veio com a voz firme do reverendo Marcelo de Silos. Ele abriu João 13 como quem abre uma janela para dentro da alma — falou de um coração como o do Mestre, e por um instante todos ali, homens, jovens, mulheres, líderes, se viram menores, mas profundamente desejosos de crescer. Findo o culto, as federações se dispersaram pelos seus trabalhos como abelhas voltando para suas colmeias.
Na virada do dia, chegou a tão esperada hora do almoço, que ninguém ousaria chamar de simples. Logo depois, os trabalhos retomaram seu curso — papeis assinados, pareceres debatido e decisões tomadas, naquele murmúrio que só congressos e aviões em taxiamento para decolarem na longa pista do Galeão ou na pista para lá de curta do Santos Dumont conseguem produzir. Até que, como manda o rito, chegou a hora da eleição. E então, como se fosse a cena final de uma peça de Nelson Rodrigues — com menos escândalo, mas igual intensidade — levantou-se a nova diretoria da Federação de Homens Presbiterianos Norte Caxiense para 2026:
Presidente, o presbítero Samuel Ribeiro — que já pairava sobre a manhã como prenúncio.
Vice-presidente, o presbítero Wagner Rohr — firme como um verso bem colocado.
Secretário Executivo, o diácono Mário Rosa — nome de poeta, discreto, mas essencial como o cargo exige
1º Secretário, André dos Santos — função de cronista das atas.
2º Secretário, o diácono Fabiano Tatagiba — pontual, preciso com as estatísticas e documentos que entram e saem...
Tesoureiro, o presbítero Paulo Cesar — guardião do que se conta e do que não se perde, de fazer inveja ao Tio Patinhas.
E assim, entre café, culto, almoço, decisões e um fiapo de poesia carioca misturada com brisa carioca, aquele sábado se transformou em memória — dessas que o tempo ajeita, Vinicius (de Morais) abençoaria e Nelson (o Rodrigues) chamaria, sem medo, de “a vida como ela é”.
No Congresso da Federação Norte Caxiense, não podemos deixar de mencionar as honrosas presenças dos pastores: Márcio Ciríaco, Márcio Bernardes, Marcelo Duarte (anfitrião), Alexsandro Araújo e Marcelo de Silos. Cada um deles chegou como quem não chega — discretos, mas ocupando naturalmente o espaço ao redor. E, como é da liturgia não escrita dos encontros presbiterianos, bastou que se sentassem para que a gravidade do ambiente aumentasse dois graus.
Afinal, congresso sem pastor é reunião; congresso com tantos pastores juntos é quase sinfonia — ou tempestade, dependendo do ponto de vista. Mas ali, curiosamente, foi sinfonia: cada um em seu tom, sua batida, sua sabedoria... e sua inevitável opinião sobre tudo. Porque pastor bom não fala muito: fala na medida exata para lembrar que está ali — e que sua presença, ainda que silenciosa, é sempre importante.