Onde o serviço vira Estrada: 1 década de caminhada em Bangu
Há domingos que parecem nascer com um sopro mais fundo, desses em que o céu se ajeita devagar para caber dentro da alma da gente. Após uma manhã maravilhosa e abençoada em Duque de Caxias, parti 30 km a oeste, indo parar no pitoresco bairro de Bangu, na capital fluminense. Lá, visitei a IP Reina, que anoiteceu com cheiro de solenidade e coração de festa: a UPH completava 10 anos de estrada — e estrada de fé é dessas que a poeira levanta para o alto, como se o próprio chão tivesse devoção.
Logo que o culto começou, a liturgia conduziu cada passo como quem segura a mão de um filho atravessando a rua. Havia reverência, sim, mas também aquele silêncio que fala mais do que muito sermão. Reconhecer-se servo, confessar as culpas, cantar como quem recorda de onde veio e para onde vai — tudo isso parecia se misturar no ar, num jeito muito simples de dizer: “Senhor, aqui estamos outra vez.”
O momento da pregação foi daquelas pausas que prendem o fôlego, quando a Palavra chega com endereço certo. O presbítero Luiz Augusto Gonzaga, da Nacional, abriu as Escrituras como quem abre uma porteira para o povo passar. E cada irmão passou por ali trazendo seus cansaços, suas esperanças, seus pedaços de vida que só Deus entende por inteiro. A mensagem veio firme, reta, mas também macia — dessas que não apenas ensinam, mas recolocam os ombros da gente no lugar.
Depois, o reverendo David Marques ergueu a oração apostólica. Era como se, naquele instante, a congregação inteira respirasse junta. Bênção que cai mansa, mas não cai à toa; cai para ficar. E ficou — nos rostos, nos bancos de madeira, nas memórias que se atravessam entre homens que há uma década carregam o mesmo fardo bom de servir.
Após esse momento tão solene, vieram as comemorações festivas. E, como convidado, levei para casa um belo presente - a camisa oficial da UPH Reina - uma verdadeira farda de guerreiros e conquistadores.
E então veio o bolo. Sim, o bolo — porque até Guimarães Rosa sabia que Deus gosta das coisas simples. Aquele doce no final era mais que sobremesa: era símbolo. O sabor de uma década, o açúcar, às vezes doce de tantas conquistas, às vezes amargo de tantas lutas, a massa de uma comunhão que deu certo. Havia risos soltos, mão no ombro, histórias cruzando, como quem diz sem dizer: “Seguimos juntos.”
Dez anos já se vão, muitos ares, muitos chãos. Não fim de caminho, mas dobrinha da estrada. A UPH da IP Reina segue viva, vibrante, com seus homens firmes na fé e ligeiros na ação — desses que sabem que o maior trabalho ainda é ganhar almas para Cristo, essa tarefa que nunca cansa e nunca termina.
E assim eles prosseguem. Não por teimosia — mas por confiança.
Confiança em Jesus.
Sola Fide!