Entre o céu, café, comunhão e aprendizado!
São Paulo amanheceu nublada neste sábado, 18 de outubro — e o Jardim São Luís, na Zona Sul da capital paulistana, um lugar que já viu de tudo nessa cidade que não para, parou um pouco diante da IP Monte Sião. Lá dentro, mais de 50 homens tomavam um delicioso café, lado a lado, como quem partilha o mesmo pão e a mesma esperança. Logo depois, começou o XXII Encontro de Líderes da Federação de Homens Sul Paulista — e, entre o aroma do café e o murmúrio das conversas, parecia que o tempo também fazia silêncio para ouvir.
O presidente da Federação, presbítero Augusto Fernandes, abriu os trabalhos com a serenidade de quem sabe que liderança é mais cruz do que trono. Leu o texto de Juízes 3:1-12 — e, entre as palavras tão antigas, havia ecos modernos: resistir, permanecer, não fugir da missão. Cantaram dois hinos, e o teto da Monte Sião devolveu o som como quem abençoa o esforço humano de se manter firme num mundo que cada vez mais nos atormenta.
Depois, o púlpito recebeu o reverendo Marcone Bezerra, que veio do Distrito Federal, mas precisamente de Ceilândia, onde pastoreia a 3ª IP. Ele falou sobre “O desafio de interpretar nossa época e a igreja evangélica reformada brasileira”. E como falou. Cada frase parecia uma linha de costura entre o ontem e o agora. Não apenas discursava — ele interpretava o tempo, como quem tenta decifrar um enigma deixado por Deus nas entrelinhas da história. Os presentes o ouviam atentos, não como quem assiste a uma palestra, mas como quem reencontra uma pergunta antiga e, finalmente, se arrisca a respondê-la.
Estavam lá nomes que, no papel, são títulos; mas, na vida, são gente — pastores, presbíteros, irmãos. Os reverendos Francisco Alexandre, Samuel Cardoso, Adenivan Mendes, Samuel dos Santos e Avaci José dos Santos — este último, figura de respeito e ternura, com 40 anos de ministério no mesmo presbitério, trinta e oito deles na Monte Sião. Foi a ele, naturalmente, que coube o instante de maior emoção: uma homenagem silenciosa e merecida. A placa comemorativa, entregue pelo presidente da CNHP, presbítero Luiz Augusto Gonzaga, não dizia tudo. Nenhuma placa diria. Há ministérios que só o céu consegue medir e nessas horas, todas as merecidas palavras de gratidão não cabem em um pedação de metal.
No meio dos ternos e gravatas, também havia flores — as irmãs da SAF, presença delicada e firme, lembrando que comunhão tem homens e mulheres presbiterianos. O evento, assim, foi se desenrolando entre falas e gestos, perguntas e respostas, até que o relógio, cansado de tanto tempo bom, cedeu à canção final. O Hino 326 — “Homens Presbiterianos” — e recitaram o moto que é quase uma profissão de fé: Confiança em Jesus, Entusiasmo na Ação, União Fraternal.
Depois, veio o almoço. E ali, entre risadas, garfadas (algumas bastantes generosas) e abraços, ficou claro o "milagre discreto das pequenas coisas”: a fé que se faz comunidade, o evangelho que se faz convivência, o sagrado que, sem alarde, se mistura ao cotidiano.
E todos partiram alimentados — de corpo, alma e propósito.